sexta-feira, 7 de março de 2008

tão pequena como sou agora

lembro-me do cheiro dos livros novos,da excitação de comprar os cadernos, as borrachas, de alinhar os lápis de côr pela ordem do arco-íris,de me extasiar numa papelaria, da indecisão da escolha...
lembro-me de forrar tudo com o papel mais bonito que encontrei e de alinhar os livros e cadernos por tamanhos...
lembro-me de ficar a olhar para eles primeiro quietos depois não resistia a folheá-los e a admirar todos os desenhos que continham, as letras não conhecia ainda...mas eram lindas...
lembro-me de coleccionar pratas que envolviam deliciosas bolachas de chocolate, de as alisar e de as manter bem esticadinhas dentro das péginas dos livros.
lembro-me de olhar o calendário com impaciência riscando os dias que faltavam para iniciar essa aventura
lembro-me de ter chorado de medo logo no primeiro dia, era o desconhecido...
lembro-me da sala de aula, austera, das carteiras corridas de madeira, das paredes brancas onde havia uma fotografia de um senhor de idade e uma cruz, não lhe dei importância...o quadro gigante negro, os apagadores e os paus de giz alinhados por cores eram bem mais atraentes...os mapas do corpo humano, do Mundo com tantas cores, de Portugal continental e insular, do Ultramar eram grandiosos e eu era tão pequenina junto deles, tão pequena como sou agora...

quarta-feira, 5 de março de 2008

obrigado por teres estado aí

costumo estar só
hoje desafiaste-me
permaneceste comigo
tempos infinitos
desconheço-te
desconheces-me
talvez...
mas estivemos juntos
aqui, no mesmo lugar
onde algo nos une
não sei quem és
não importa
o importante é que
estivemos juntos e que
ainda que por pouco tempo
me acompanhaste
obrigado por teres estado aí

vou continuar a escrever não posso perder mais tempo...



Escrevo por compulsão, há quem tenha distúrbios alimentares e coma por compulsão, eu, por enquanto, não sou dessas, se bem que para falar a verdade, quando estou carente, ataco os doces, vou à despensa e é a desgraça.

Não sei se a minha actual compulsão terá algum nome específico, se tem não me ocorre...mas tenho vindo a descobrir, com muito interesse, que comer um doce conforta, e de que maneira, se bem que na maioria das vezes acabo a rogar pragas por ter cedido à tentação.

Mas eu funciono por dias ou por fases...

Tenho dias em que não lhes toco por muito que eles me acenem das prateleiras, nesses dias até podiam fazer piruetas, esqueço-me deles, porém há dias em que o desejo é mais forte que eu e aí marcham os mais apetecíveis primeiro e os outros sucedem-se-lhes por ordem.

Também tenho o que se chama "levas", alturas em que embico para um doce específico e como os dias que forem precisos até me enjoar de todo...aí tenho de arranjar outro que o substitua

Hoje coube a sorte ao Toblerone amanhã logo verei...

Depois deste aparte vou continuar a escrever não posso perder mais tempo...

Adeus.

terça-feira, 4 de março de 2008

lês-me



lês-me
no silêncio da noite
quando não vejo
pressinto-te e
sinto-me bem
é menos embaraçoso
do que cruzar-me contigo
aqui...no caminho
falta-te perder o medo
de falares de ti
do que sentes
quando me lês
talvez te intimide
o que escrevo
talvez não me reconheças
e te questiones
porque o faço
sinto-me bem
com o meu corpo
quando me dispo
de preconceitos
quando mostro as fragilidades
da minha pele
fortalecida por todas as lesões
talvez não me conheças
de todo
tal como eu...

domingo, 2 de março de 2008

hoje estou assim



hoje estoirei-me por fora e por dentro...

sábado, 1 de março de 2008

lembras-te de mim?


sou a mesma
que conheceste
persigo os mesmos sonhos
impossíveis
no mesmo jeito
timido de ser
que agora consigo ocultar
não sou tão silenciosa como era
aprendi a ser frontal
rebelo-me comigo e com os outros
o rosto está mais enrugado
é certo
não há milagres
as mãos vão envelhecendo
ao meu ritmo
o olhar parece-me igual
talvez cansado do que viu
algumas cicatrizes
novinhas em folha
para te mostrar
e um sem fio de coisas para contar
ou talvez não
talvez recomece do zero
olá sou eu
lembras-te de mim?


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

ad aeternum


juraste que seria ad aeternum
falhaste
podia ter sido diferente
mas não foi
retoquei-te tantas vezes
na memória do tempo
que me suspendi sem sentido
é tempo de retomar a vida
cortar todas as amarras
retomar o destino
sentir de novo a minha pele
ad aeternum...

hoje sou a voz

fui alguém que queria mudar o mundo
fui o achava que o outros não eram
fui criança
fui mãe
transportei em mim
os seres que amo
fui sincera
fui o medo de viver
fui o lar que construi
fui a nostalgia
fui a dor
fui silêncios
fui a esperança destruida
hoje sou a voz

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

quem me leva os meus fantasmas

até um dia...

ela lembrava-se de tudo, mesmo do que procurou esquecer, a memória vinha-lhe em socalcos, o amontoado de papéis que coleccionou avidamente, foram amarelecendo ,evitava lê-los para conseguir esquecer o inesquecivel, apeteceu-lhe destrui-los tantas vezes...mas preservou-os, para memória futura, seriam a única prova que lhe restava.
ele optara por esquecer, era mais prático, detalhes para quê, só há uma versão, a sua, como sempre...rescreveu a história a seu belo prazer.
o tempo bestializou-o, endurecendo-lhe as feições, para ela o tempo foi mais benevolente talvez para compensar o não lhe permitir esquecer...todos os detalhes
ele seguiu a vida e acha que teve sorte...
ela tentou seguir a vida escolhendo, sem querer, os piores caminhos, ao procurar fugir dele.
ele regozijava-se com os erros dela e gostava de carregar nas suas feridas de forma a que ela não as cicatrizasse
ela tentava ignorá-lo e prosseguir mas em vão...
ele gostava de manter o poder nas suas mãos, manipulando-lhe a razão
por vezes ela sentia que ele queria enlouquecê-la... resistiu até um dia...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

sinto na PELE


redescobrimo-nos por acaso...
embora percorrendo tempos iguais
dentro de vidas diferentes
partilhámos um breve mas intenso
passado comum
lembramos velhos tempos
inocentes, puros como nós
em que o drama acontecia
a cada esquina
em que pensavamos
que o amor era tão eterno
como a amizade
como estávamos errados...
não perdemos contudo
a capacidade de rir do que fomos
confessas-me hoje o que então não vi
garantes que mo disseste outrora
avivas-me a memória
do que sem querer esqueci
questiono-te se te terei magoado
sem querer...
dizes que não.
acredito em ti!
talvez me consigas fazer rir
do que hoje sou...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

começo a acreditar...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

ao anoitecer

ao anoitecer
sinto o peso do mundo
o som dissipa-se
das veias
que teimo em secar
apago os derrames
sem saida
todas as bifurcações
onde me perco
ao anoitecer
gostava de ter uma estrela
só minha
para olhar

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

ser mãe em dia de S.Valentim


hoje estou mesmo bem, adoro ser mãe, aqui não falhei de todo...
foi um belo dia de S.Valentim
obrigado filhas

(Bem) na minha mão

Abro os olhos e adormeço
Sem a mente fraquejar
Saio pela manhã
De passagem, coisa vã
Derrapagem
Que a viagem tem princípio, meio e fim

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Não me venham buzinar
Vou tão bem na minha mão
Então vou para lá
Ver o que dá
Pé atrás na engrenagem
Altruísta até mais não

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Susana Felix


adoro esta letra e música!!!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Pele - Polo Norte

Fechaste as portas do teu mundo
Na esperança dele se encontrar
Vais contando o tempo quase ao segundo
Parece não querer passar
Fazes de conta que está tudo bem
E andas às voltas quando estás a sós
Gritos mudos que só tu entendes
No profundo silêncio
Que é a tua voz

Não precisas de te esconder
Ninguém te vai encontrar
O que está escrito na tua pele
Só tu para o decifrar

O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer,
Nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele por entre as mãos

O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer, nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele
Passou-lhe a pele por entre as mãos


brilhante a letra e música dos Polo Norte

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


és o monstro que desconheço
tento imaginar quando isso aconteceu
e não encontro data precisa
algures no tempo transformaste-te
nesta coisa que és agora
quando te olho e vejo como és
não gosto dos laços que nos ligaram
apesar da tua monstruosidade
paralizo em vez de prosseguir
como devia...
és tortuoso
agrides e recuas
às vezes humanizas-te
e desconcertas-me
alimentando-me esperanças
absurdas de algo que nem sequer quero
continua a torturar-me
mas não te tornes humano
por favor
porque me desumanizas
continua o teu trabalho
flagela-me a alma
o corpo
massacra-me a pele
despoja-me da vida lentamente
e fica feliz
se só assim te sentes Homem
hoje apetece-me desaparecer de uma vez por todas
daqui
do mundo
de ti
falta-me só a coragem de deixá-las

Convenção dos feridos por amor


E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”.Porque não viveram.


Copyright @ 2007 by Paulo Coelho - O Guerreiro da Luz Online

domingo, 10 de fevereiro de 2008

esquece-te de mim!

esquece-te de mim!
que existo,
incomodas-me demais
o teu voyeurismo assusta-me
a maldade contida em ti, a distorção de tudo o que digo e faço, o prazer com que me destróis aos poucos é devastador.
esquece-te de mim!
deixa-me de vez, deixa-me fechar-te a porta com força.
vive e deixa-me viver.
não te devo satisfações dos meus actos, não te admito sequer que me julgues.
destroi-me aos poucos se isso te dá prazer, usa o teu olhar de ódio que trespassa, pouco me importa que o faças, há muito que estou de rastos, permanecerei aí até ao dia em que me consiga libertar de vez.
nesse dia acautela-te pois poderei ser mais devastadora do que tu.
o ódio que transpiras é próximo do amor que me recusaste.
odeia-me enquanto te amo, quando descobrires que me amas odiar-te-ei eu.
por isso humilha-me mais, consporca todos os meus actos, vangloria-te ufano que és melhor do que eu, incha até rebentares de satisfação.
eu estarei lá na primeira fila e limparei de vez os restos que deixares na minha pele.