lembro-me do cheiro dos livros novos,da excitação de comprar os cadernos, as borrachas, de alinhar os lápis de côr pela ordem do arco-íris,de me extasiar numa papelaria, da indecisão da escolha...
lembro-me de forrar tudo com o papel mais bonito que encontrei e de alinhar os livros e cadernos por tamanhos...
lembro-me de ficar a olhar para eles primeiro quietos depois não resistia a folheá-los e a admirar todos os desenhos que continham, as letras não conhecia ainda...mas eram lindas...
lembro-me de coleccionar pratas que envolviam deliciosas bolachas de chocolate, de as alisar e de as manter bem esticadinhas dentro das péginas dos livros.
lembro-me de olhar o calendário com impaciência riscando os dias que faltavam para iniciar essa aventura
lembro-me de ter chorado de medo logo no primeiro dia, era o desconhecido...
lembro-me da sala de aula, austera, das carteiras corridas de madeira, das paredes brancas onde havia uma fotografia de um senhor de idade e uma cruz, não lhe dei importância...o quadro gigante negro, os apagadores e os paus de giz alinhados por cores eram bem mais atraentes...os mapas do corpo humano, do Mundo com tantas cores, de Portugal continental e insular, do Ultramar eram grandiosos e eu era tão pequenina junto deles, tão pequena como sou agora...
redescobrir-me, libertar-me de algumas das camadas de pele que teimam em não cair, reinventar-me expondo a minha nudez...
sexta-feira, 7 de março de 2008
quarta-feira, 5 de março de 2008
obrigado por teres estado aí
costumo estar só
hoje desafiaste-me
permaneceste comigo
tempos infinitos
desconheço-te
desconheces-me
talvez...
mas estivemos juntos
aqui, no mesmo lugar
onde algo nos une
não sei quem és
não importa
o importante é que
estivemos juntos e que
ainda que por pouco tempo
me acompanhaste
obrigado por teres estado aí
hoje desafiaste-me
permaneceste comigo
tempos infinitos
desconheço-te
desconheces-me
talvez...
mas estivemos juntos
aqui, no mesmo lugar
onde algo nos une
não sei quem és
não importa
o importante é que
estivemos juntos e que
ainda que por pouco tempo
me acompanhaste
obrigado por teres estado aí
vou continuar a escrever não posso perder mais tempo...

Escrevo por compulsão, há quem tenha distúrbios alimentares e coma por compulsão, eu, por enquanto, não sou dessas, se bem que para falar a verdade, quando estou carente, ataco os doces, vou à despensa e é a desgraça.
Não sei se a minha actual compulsão terá algum nome específico, se tem não me ocorre...mas tenho vindo a descobrir, com muito interesse, que comer um doce conforta, e de que maneira, se bem que na maioria das vezes acabo a rogar pragas por ter cedido à tentação.
Mas eu funciono por dias ou por fases...
Tenho dias em que não lhes toco por muito que eles me acenem das prateleiras, nesses dias até podiam fazer piruetas, esqueço-me deles, porém há dias em que o desejo é mais forte que eu e aí marcham os mais apetecíveis primeiro e os outros sucedem-se-lhes por ordem.
Também tenho o que se chama "levas", alturas em que embico para um doce específico e como os dias que forem precisos até me enjoar de todo...aí tenho de arranjar outro que o substitua
Hoje coube a sorte ao Toblerone amanhã logo verei...
Depois deste aparte vou continuar a escrever não posso perder mais tempo...
Adeus.
terça-feira, 4 de março de 2008
lês-me

lês-me
no silêncio da noite
quando não vejo
pressinto-te e
sinto-me bem
é menos embaraçoso
do que cruzar-me contigo
aqui...no caminho
falta-te perder o medo
de falares de ti
do que sentes
quando me lês
talvez te intimide
o que escrevo
talvez não me reconheças
e te questiones
porque o faço
sinto-me bem
com o meu corpo
quando me dispo
de preconceitos
quando mostro as fragilidades
da minha pele
fortalecida por todas as lesões
talvez não me conheças
de todo
tal como eu...
domingo, 2 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
lembras-te de mim?

sou a mesma
que conheceste
persigo os mesmos sonhos
impossíveis
no mesmo jeito
timido de ser
que agora consigo ocultar
não sou tão silenciosa como era
aprendi a ser frontal
rebelo-me comigo e com os outros
o rosto está mais enrugado
é certo
não há milagres
as mãos vão envelhecendo
ao meu ritmo
o olhar parece-me igual
talvez cansado do que viu
algumas cicatrizes
novinhas em folha
para te mostrar
e um sem fio de coisas para contar
ou talvez não
talvez recomece do zero
olá sou eu
lembras-te de mim?
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
hoje sou a voz
fui alguém que queria mudar o mundo
fui o achava que o outros não eram
fui criança
fui mãe
transportei em mim
os seres que amo
fui sincera
fui o medo de viver
fui o lar que construi
fui a nostalgia
fui a dor
fui silêncios
fui a esperança destruida
hoje sou a voz
fui o achava que o outros não eram
fui criança
fui mãe
transportei em mim
os seres que amo
fui sincera
fui o medo de viver
fui o lar que construi
fui a nostalgia
fui a dor
fui silêncios
fui a esperança destruida
hoje sou a voz
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
até um dia...
ela lembrava-se de tudo, mesmo do que procurou esquecer, a memória vinha-lhe em socalcos, o amontoado de papéis que coleccionou avidamente, foram amarelecendo ,evitava lê-los para conseguir esquecer o inesquecivel, apeteceu-lhe destrui-los tantas vezes...mas preservou-os, para memória futura, seriam a única prova que lhe restava.
ele optara por esquecer, era mais prático, detalhes para quê, só há uma versão, a sua, como sempre...rescreveu a história a seu belo prazer.
o tempo bestializou-o, endurecendo-lhe as feições, para ela o tempo foi mais benevolente talvez para compensar o não lhe permitir esquecer...todos os detalhes
ele seguiu a vida e acha que teve sorte...
ela tentou seguir a vida escolhendo, sem querer, os piores caminhos, ao procurar fugir dele.
ele regozijava-se com os erros dela e gostava de carregar nas suas feridas de forma a que ela não as cicatrizasse
ela tentava ignorá-lo e prosseguir mas em vão...
ele gostava de manter o poder nas suas mãos, manipulando-lhe a razão
por vezes ela sentia que ele queria enlouquecê-la... resistiu até um dia...
ele optara por esquecer, era mais prático, detalhes para quê, só há uma versão, a sua, como sempre...rescreveu a história a seu belo prazer.
o tempo bestializou-o, endurecendo-lhe as feições, para ela o tempo foi mais benevolente talvez para compensar o não lhe permitir esquecer...todos os detalhes
ele seguiu a vida e acha que teve sorte...
ela tentou seguir a vida escolhendo, sem querer, os piores caminhos, ao procurar fugir dele.
ele regozijava-se com os erros dela e gostava de carregar nas suas feridas de forma a que ela não as cicatrizasse
ela tentava ignorá-lo e prosseguir mas em vão...
ele gostava de manter o poder nas suas mãos, manipulando-lhe a razão
por vezes ela sentia que ele queria enlouquecê-la... resistiu até um dia...
sábado, 23 de fevereiro de 2008
sinto na PELE

redescobrimo-nos por acaso...
embora percorrendo tempos iguais
dentro de vidas diferentes
partilhámos um breve mas intenso
passado comum
lembramos velhos tempos
inocentes, puros como nós
em que o drama acontecia
a cada esquina
em que pensavamos
em que pensavamos
que o amor era tão eterno
como a amizade
como estávamos errados...
não perdemos contudo
a capacidade de rir do que fomos
confessas-me hoje o que então não vi
garantes que mo disseste outrora
avivas-me a memória
do que sem querer esqueci
questiono-te se te terei magoado
sem querer...
dizes que não.
acredito em ti!
talvez me consigas fazer rir
do que hoje sou...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
sábado, 16 de fevereiro de 2008
ao anoitecer
ao anoitecer
sinto o peso do mundo
o som dissipa-se
das veias
que teimo em secar
apago os derrames
sem saida
todas as bifurcações
onde me perco
ao anoitecer
gostava de ter uma estrela
só minha
para olhar
sinto o peso do mundo
o som dissipa-se
das veias
que teimo em secar
apago os derrames
sem saida
todas as bifurcações
onde me perco
ao anoitecer
gostava de ter uma estrela
só minha
para olhar
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
ser mãe em dia de S.Valentim
(Bem) na minha mão
Abro os olhos e adormeço
Sem a mente fraquejar
Saio pela manhã
De passagem, coisa vã
Derrapagem
Que a viagem tem princípio, meio e fim
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Não me venham buzinar
Vou tão bem na minha mão
Então vou para lá
Ver o que dá
Pé atrás na engrenagem
Altruísta até mais não
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Susana Felix
adoro esta letra e música!!!
Sem a mente fraquejar
Saio pela manhã
De passagem, coisa vã
Derrapagem
Que a viagem tem princípio, meio e fim
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Não me venham buzinar
Vou tão bem na minha mão
Então vou para lá
Ver o que dá
Pé atrás na engrenagem
Altruísta até mais não
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação
Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo
Susana Felix
adoro esta letra e música!!!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Pele - Polo Norte
Fechaste as portas do teu mundo
Na esperança dele se encontrar
Vais contando o tempo quase ao segundo
Parece não querer passar
Fazes de conta que está tudo bem
E andas às voltas quando estás a sós
Gritos mudos que só tu entendes
No profundo silêncio
Que é a tua voz
Não precisas de te esconder
Ninguém te vai encontrar
O que está escrito na tua pele
Só tu para o decifrar
O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer,
Nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele por entre as mãos
O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer, nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele
Passou-lhe a pele por entre as mãos
brilhante a letra e música dos Polo Norte
Na esperança dele se encontrar
Vais contando o tempo quase ao segundo
Parece não querer passar
Fazes de conta que está tudo bem
E andas às voltas quando estás a sós
Gritos mudos que só tu entendes
No profundo silêncio
Que é a tua voz
Não precisas de te esconder
Ninguém te vai encontrar
O que está escrito na tua pele
Só tu para o decifrar
O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer,
Nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele por entre as mãos
O quadro teu
Que traço a pincel
A história
Da tua vida
Escrita, sentida, tatuada na pele
Quem lá
Quem lá escreveu
Com a tua permissão
Nem sequer, nem sequer percebeu
E perdeu
Passou-lhe a pele
Passou-lhe a pele por entre as mãos
brilhante a letra e música dos Polo Norte
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

és o monstro que desconheço
tento imaginar quando isso aconteceu
e não encontro data precisa
algures no tempo transformaste-te
nesta coisa que és agora
quando te olho e vejo como és
não gosto dos laços que nos ligaram
apesar da tua monstruosidade
paralizo em vez de prosseguir
como devia...
és tortuoso
agrides e recuas
às vezes humanizas-te
e desconcertas-me
alimentando-me esperanças
absurdas de algo que nem sequer quero
continua a torturar-me
mas não te tornes humano
por favor
porque me desumanizas
continua o teu trabalho
flagela-me a alma
o corpo
massacra-me a pele
despoja-me da vida lentamente
e fica feliz
se só assim te sentes Homem
Convenção dos feridos por amor
E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”.Porque não viveram.
Copyright @ 2007 by Paulo Coelho - O Guerreiro da Luz Online
domingo, 10 de fevereiro de 2008
esquece-te de mim!
esquece-te de mim!
que existo,
incomodas-me demais
o teu voyeurismo assusta-me
a maldade contida em ti, a distorção de tudo o que digo e faço, o prazer com que me destróis aos poucos é devastador.
esquece-te de mim!
deixa-me de vez, deixa-me fechar-te a porta com força.
vive e deixa-me viver.
não te devo satisfações dos meus actos, não te admito sequer que me julgues.
destroi-me aos poucos se isso te dá prazer, usa o teu olhar de ódio que trespassa, pouco me importa que o faças, há muito que estou de rastos, permanecerei aí até ao dia em que me consiga libertar de vez.
nesse dia acautela-te pois poderei ser mais devastadora do que tu.
o ódio que transpiras é próximo do amor que me recusaste.
odeia-me enquanto te amo, quando descobrires que me amas odiar-te-ei eu.
por isso humilha-me mais, consporca todos os meus actos, vangloria-te ufano que és melhor do que eu, incha até rebentares de satisfação.
eu estarei lá na primeira fila e limparei de vez os restos que deixares na minha pele.
que existo,
incomodas-me demais
o teu voyeurismo assusta-me
a maldade contida em ti, a distorção de tudo o que digo e faço, o prazer com que me destróis aos poucos é devastador.
esquece-te de mim!
deixa-me de vez, deixa-me fechar-te a porta com força.
vive e deixa-me viver.
não te devo satisfações dos meus actos, não te admito sequer que me julgues.
destroi-me aos poucos se isso te dá prazer, usa o teu olhar de ódio que trespassa, pouco me importa que o faças, há muito que estou de rastos, permanecerei aí até ao dia em que me consiga libertar de vez.
nesse dia acautela-te pois poderei ser mais devastadora do que tu.
o ódio que transpiras é próximo do amor que me recusaste.
odeia-me enquanto te amo, quando descobrires que me amas odiar-te-ei eu.
por isso humilha-me mais, consporca todos os meus actos, vangloria-te ufano que és melhor do que eu, incha até rebentares de satisfação.
eu estarei lá na primeira fila e limparei de vez os restos que deixares na minha pele.
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