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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

é isso as saudades...

É isso as saudades…porque me fui lembrar delas? E logo da infância…raios! Volta não volta assaltas-me a memória e instalas-te, com ar de quem veio para ficar, de armas e bagagens. E aí as lágrimas caiem-me dos olhos.
Lembras-te? Não, não te lembras eu sei! Tinhas o quê? 4 ou 5 anos? Sim era isso, tu e eu…há quanto tempo, meu Deus! Tu, sempre sério, eu, nem por isso. Tu, com cabelos cor do Sol, eu, com cabelos cor da Terra. Os olhos da cor do mar, tão pacífico como tu, os meus, cor de mel, doces só para ti! Dávamos as mãos e tínhamos conversas profundas em que me perdia na luz dos teus olhos. Naquele dia estavas sério, demasiado sério quando bateste á minha porta. Anunciaste-me a medo que não podíamos brincar. Tinhas sarampo em sítios que nem me podias mostrar. Nos dias seguintes brinquei só para ti enquanto pela vidraça a luz dos teus olhos calmos me iluminavam essas tardes tristes.
Partiste de vez, deixando comigo toda a água desse teu mar tão calmo que salta dos meus olhos sempre que me lembro de ti.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

disseste-me com pena
que já não me poderias ajudar
como te enganas
que não tive culpa
que tudo já tinha acontecido antes
sei que sim
mas isso não diminui a minha culpa
que tinhas pena 
é verdade
mas nem todas as verdades
são sinceras
a vida não se muda
segue o rumo destinado
por algum desígnio oculto 
e quando me disseste 
que era a ultima despedida
que esperavas por mim
acreditei
cumpriste o prometido
e eu cumpri a minha promessa

segunda-feira, 31 de março de 2008

o dia em que brinquei só para ti


hoje assolaram-me
as saudades
do tempo
em que éramos crianças
e trocávamos as palavras
mais bonitas que encontrávamos
tenho tantas saudades de ti
do teu ar sério
quando bateste à minha porta
para me informares
com tristeza
que
hoje não podíamos brincar
acordaste cheio de borbulhas
em sítios que nem me podias contar
deixaste-me impacientemente à espera
que essa maleita te passasse
via-te à janela enclausurado
e brincava na rua só para ti
passou o tempo e crescemos
cada um para o seu lado
um dia revi-te e relembrei-me
do dia em que tiveste essas borbulhas
partiste de vez
estupidamente
mas ainda hoje lembro
com saudade
o dia em que brinquei só para ti

terça-feira, 6 de novembro de 2007

"in memoriam"

.....Depois há a minha tia, aquela pessoa que adoro e que sempre me adorou, que era "a minha bandeira da misericórdia” a minha Titi…que me amou e mimou, que tratou as minhas filhas como suas.
A saudosa Titi... agora encurralada, num corpo cadavérico que há muito deixou de dominar, aquela que, nos raros rasgos de lucidez, me diz que sempre gostou muito de mim, e que faz rolar as minhas lágrimas cada vez que a vejo assim, qual passarinho ferido que um sopro fará cair.
A única pessoa a quem eu consegui dizer em vida, de alma na mão, que sempre gostei muito dela.

Meu Deus, como foste tão importante na minha vida…

Bolas! Estou zangada contigo!!!

Porque tinhas de envelhecer tão cedo? Não podias esperar? Preciso tanto de ti...e depois há aqueles dias em que me despedaças o coração, quando não me conheces de todo, aí sou tua irmã, tua mãe, tudo o que nunca fui e não quero ser.

Sou Eu, lembras-te? dizes que sim, que claro que te lembras do dia em que te levei à escola...

Evito ter de te ver assim, há quem não perceba... mas eu sei que me entendes, se fosse ao contrário farias o mesmo.
Éramos tão parecidas…tão assustadoramente próximas com duas gerações inteirinhas a separar-nos.
Merecíamos ter passado mais tempo juntas, devias ter esperado mais tempo por mim... foste sempre o meu apoio e ainda és, trago-te dentro de mim gravada para sempre e só tu sabes isso, não preciso de estar fisicamente junto de ti para estar contigo e tu sabes que não suporto ver-te degradar, ás vezes, com uma rapidez assustadora.

Lembras-te quando me deixavas usar os teus sapatos de saltos altos?
Tinha eu o quê 5, 6 anos?
Lembras-te daquela vez em que sem muita maldade, consciente, resolvi tirar-te o banco e tu caíste desamparada no chão com dores que, agora , presumo atrozes o que me ia custando uma tareia e tu, com dores, a tentares salvar-me desse destino traçado…tantas aventuras…tantos risos…tanta cumplicidade…tanto amor…

Conseguiste!!!! Boa! por fim libertaste-te do teu corpo, dos ossos, da tua pele...deixaste a alma comigo.

obrigada!